Dicas para uma boa (Indi)Gestão de Processos – Parte III
Este é mais um artigo da série Dicas para uma boa (Indi)Gestão de Processos escreveremos uma série de artigos com dicas – bem-humoradas – sobre como realizar uma “boa” gestão de processos! Por que falar de (Indi)Gestão ao invés de Gestão? Porque falar da verdadeira Gestão de Processos é chato, é cansativo, sua implementação é trabalhosa. Além disso, escrever sobre (Indi)Gestão dá mais conversa rica que sobre Gestão!
Leia todas as partes da série Dicas para uma boa (Indi)Gestão de Processos:
Se alguém quer se aprofundar sobre GESTÃO é só ler o livro de Deming, “Qualidade: A Revolução da Administração” e seus 14 princípios. Agora, desafio qualquer um a encontrar um bom livro sobre (Indi)Gestão de Processos! Podem questionar ao chatgpt que não irão encontrar dicas tão boas como as mencionadas na nossa série.
Lembre-se: a ironia estará sempre presente por aqui. E se você enxergar algo parecido na sua empresa, atenção — pode ser sintoma de uma bela indi(gestão) de processos.
(Indi)Gestão 11 - Aplique o Pensamento Matemático para avaliar a eficácia de mudanças no processo

Em matemática 3 < 4, mas em estatística 3 pode ser igual a 4! Já falamos disso em um artigo sobre Pensamento Estatístico. Parece bem mais simples o uso do pensamento matemático. Use essa lógica para avaliar mudanças no processo. Seu uso é muito simples:
- Ao detectar um problema de queda nas vendas ou aumento de custos (por exemplo)…
- Determine uma ação – conhecida, lembre-se da Dica 10 – para aumentar as vendas ou diminuir os custos
- Aplique a ação conhecida
- Analise o resultado da eficácia da ação da seguinte forma:
- Se se desejava um aumento das vendas e as vendas aumentaram, a ação foi um sucesso
- Se se desejava uma queda dos custos e os custos caíram, a ação foi um sucesso.
O método é muito simples, não se precisa lidar com variação do processo, controle estatístico ou coisa parecida!
(Indi)Gestão 12 - Use os limites de especificação do Cliente para decidir sobre ações no processo

Reichheld (2022) em seu livro Vencendo com Propósito, comenta sobre a importância de amar o cliente e sobre a mudança das empresas do foco no capitalismo financeiro para o capitalismo do cliente. Nesse sentido você deveria usar os limites da especificação do cliente para tomar ações imediatas no processo.
Como funciona esta dica? A figura abaixo mostra um processo controlado (só causas comuns de variação com os pontos dentro dos limites de controle), mas não capaz de atender a especificação do cliente. Tem dois pontos acima da especificação superior.

Como há pontos fora da especificação, certamente são gerados por causas especiais e devem ser analisados atentamente. Neste caso use a Dica 11 para encontrar uma ação conhecida e – após essa ação – determinar se o processo passou a ser capaz de atender a especificação.
(Indi)Gestão 13 - Atue prontamente para controlar o processo se houver uma relação causa-efeito conhecida

Se você conhece o efeito médio de uma variação de processo sobre outra variável controlada atue prontamente para corrigir a variação da variável controlada. Exemplo: considere a figura abaixo que mostra a variável controlada brancura do papel e a variável alvejante usada para aumentar a brancura. Há uma relação direta entre o alvejante e a brancura: mais alvejante, mais brancura (na média!).
Como aplica esta dica? Se acontece uma queda na brancura, atue imediatamente aumentando o alvejante para aumentar a brancura (e reduzir a variação). Acontece um aumento da brancura, diminua o alvejante. Alguns poderão falar que isso pode gerar um aumento da variação (tampering), mas esqueça esse tipo de implicação. A dica funciona muito bem!

(Indi)Gestão 14 - Nunca desconfie de seus dados pois são a base de ações bem fundamentadas

A importância da ciência dos dados é indiscutível hoje em dia. Ter dados não significa muita coisa, mas é o primeiro passo! Os dados têm que ser transformados em informação e essa informação é usada posteriormente para melhorar o processo:

Os dados usados para gestão dos processos podem ser originados de diversas fontes, tais como aparelhos de laboratório, instrumentos online ou em processos administrativos. Certamente deve-se acreditar que todas essas fontes são confiáveis. Ainda mais se os dados foram imputados em algum sistema da empresa!
(Indi)Gestão 15 - Corolário da Dica 14. Só desconfie dos dados se algum deles mostrar que o produto está fora da especificação do Cliente

Caso que esteja analisando variáveis de um produto, como concentração, viscosidade, teor de um ativo ou qualquer outra e alguma medida apresentar valor fora da especificação, desconfie dela. Nesse caso reanalise o produto porque há usualmente uma grande chance que a medida esteja errada; afinal você fez tudo certo no processo, não é? Se a nova medida estiver agora dentro da especificação, você terá confirmado o erro da primeira medição.
Existe um alerta nesta dica, se o valor medido estiver dentro da especificação, não ouse duvidar dela, ela está certa (lembre-se da Dica 14)!
Referências
- Fred Reichheld (2022). Vencendo com Propósito. Ed. Benvirá.
- William Edwards Deming, 1990. Qualidade: A Revolução da Administração. Ed. Marques Saraiva.
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