Dicas para uma boa (Indi)Gestão de Processos – Parte IV
Sob o título acima escrevemos uma série de artigos com dicas – bem-humoradas – sobre como realizar uma “boa” gestão de processos! Por que falar de (Indi)Gestão ao invés de Gestão? Porque falar da verdadeira Gestão de Processos é chato, é cansativo, sua implementação é trabalhosa. Além disso, escrever sobre (Indi)Gestão dá mais conversa rica que sobre Gestão!
Se alguém quer se aprofundar sobre GESTÃO é só ler o livro de Deming, “Qualidade: A Revolução da Administração” e seus 14 princípios. Agora, desafio qualquer um a encontrar um bom livro sobre (Indi)Gestão de Processos! Podem questionar ao chatgpt que não irão encontrar dicas tão boas como as mencionadas na nossa série
Lembre-se: a ironia estará sempre presente por aqui. E se você enxergar algo parecido na sua empresa, atenção — pode ser sintoma de uma bela indi(gestão) de processos.
Leia todas as partes da série Dicas para uma boa (Indi)Gestão de Processos:
(Indi)Gestão 16 - Escolha o método de produção “Empurrado”

Em gestão da produção, “puxada” e “empurrada” referem-se a dois métodos distintos de organização do fluxo produtivo. A produção puxada é um sistema onde a produção é iniciada com base na demanda do cliente, ou seja, a produção é “puxada” após a confirmação de um pedido do cliente. Já a produção empurrada é um sistema onde a produção é iniciada com base em previsões de demanda ou necessidades do orçamento, independentemente de pedidos confirmados.
A produção empurrada irá gerar mais estoque de produtos acabados ou semiacabados, mas, por outro lado, o custo unitário dos produtos será menor. Estoque é um ativo. Quanto maior o estoque final, menor o custo dos produtos vendidos e maior a margem! Como se pode ver na tabela abaixo, pelo custeio tradicional, o terceiro ano será o ano de melhor margem, embora ter ficado com o maior estoque e as vendas não terem sido as melhores.
Se usássemos o custeio lean (ver por exemplo Maskell et al, 2011, ou Cogan, 2011) a história muda de figura; o ano com maior margem é o quarto ano, que tem a maior venda e estoque zero.
Resumindo a dica, as empresas usam o custeio tradicional e então o melhor é empurrar estoque adentro!

(Indi)Gestão 17 - Suprimentos tem o dever de negociar compras maiores para obter menores preços

Esta dica pode gerar maior estoque, mas a redução de preço usualmente será significativa. Outra vantagem para empresas que vendem esses produtos para outros clientes é que poderão se vangloriar de ter estoque alto para atender seus clientes!
Caso a estratégia não funcione devido a uma queda inesperada do preço, sempre será possível justificar a estratégia de compra antecipada mencionando aspectos fora do nosso controle. Além disso, a economia obtida na negociação poderá ser usada como uma desculpa – totalmente justificada – da perda posterior.
(Indi)Gestão 18 - Aumente o número de SKUs para superar o portfólio de seus concorrentes

A complexidade dos processos poderá aumentar um pouco (na forma de estoques, embalagens, tempo de setup e produtos com margens baixas), mas você deve torcer – nem sempre funciona – para que seus clientes desejem fortemente sua ampla gama de produtos.
(Indi)Gestão 19 - Siga à risca a estratégia de reduzir os custos de suas compras fazendo – pelo menos – três cotações com fornecedores

A Toyota sempre está preocupada com a eficiência da cadeia de valor ampliada que inclui fornecedores e clientes. Seus fornecedores são parceiros e são treinados para realizar melhoria contínua em seus processos.
Na vida real essa atenção à cadeia de valor ampliada exige um esforço muito grande e leva bastante tempo. Além disso, precisa-se de redução de custo já. Chris Zook e James Allen (2016) destacam o seguinte paradoxo que está ficando cada vez mais evidente: as pessoas vivem cada vez mais, as empresas cada vez menos. Então não há tempo a perder, precisa-se da redução de custo hoje.
(Indi)Gestão 20 - Corolário da Dica 19. Administre a logística de estoque de um maior número de peças de reposição

Ilustramos o conceito com um exemplo breve. Ao comprar bombas dos fornecedores A, B, C e D, você deverá ter peças de reposição para as bombas de A, B, C e D. Tudo bem porque você já economizou na compra das bombas! No futuro, você poderá administrar o problema de ter mais itens em estoque. Lembre-se da Dica 3: Dedique seu maior tempo no quadrante Urgente x Importante; ou seja, o importante é o agora!
Referências
- Brian H. Maskell, Bruce Baggaley, e outros, 2011. Practical Lean Accounting: A Proven System for Measuring and Managing the Lean Enterprise [With CDROM]: A Proven System for Measuring and Managing the Lean. Ed. CRC Press.
- Chris Zook e James Allen, 2016. A mentalidade do fundador: A chave para sua empresa enfrentar as crises e continuar vencendo. Ed. Figurati
- Samuel Cogan, 2011. Gestão pelos Números Certos: Uma Novela sobre a Transformação da Contabilidade Gerencial para as Empresas Lean. Ed. Bookman.
- William Edwards Deming, 1990. Qualidade: A Revolução da Administração. Ed. Marques Saraiva.
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